Som nas ruas é com ele.


Não há morador dos bairros Vila Nova, Costa e Silva e Morro do Meio que não perceba quando Carlos passa com seu carro de som.

Não há quem não perceba quando ele passeia pelos bairros Vila Nova, Costa e Silva e Morro do Meio. Há dez anos, Carlos Alberto Silveira Marchetti, mais conhecido como Carlos do Som, roda pelas ruas, preferencialmente desses três bairros, com um carro de som. Ele faz propaganda para quem quiser divulgar algum serviço ou produto.

Sempre descontraído, falador e de muito bom astral, dificilmente alguém se depara com um Carlos sério ou cabisbaixo. Por isso, tornou-se conhecido nos bairros por onde circula. O ex-caminhoneiro teve de trocar de profissão depois que passou por problemas de saúde. Uma hérnia que surgiu por carregar sacos de frutas, verduras e legumes o obrigou a deixar o caminhão e procurar outra alternativa de renda.

"Eu via tanta gente de moto com som por aí e pensei: mas esse negócio deve dar dinheiro. Então resolvi tentar. Eu tinha uma moto e um som e era só começar a trabalhar", recorda Carlos, hoje com 44 anos. Com sua motocicleta CG 125 de cor vermelha, ele começou a fazer propaganda. Como ainda não era conhecido, tinha de aceitar trabalhar para toda a cidade. Hoje, ele também não recusa trabalho, mas dá preferência para a região Oeste da cidade.

O problema de trabalhar de motocicleta era o tempo de permanência sobre o veículo. Eram quase dez horas por dia. "Depois de tanto tempo sobre uma moto, imagina as dores nas pernas", ri Carlos. Outro problema eram os dias de chuva. Como havia contrato com os clientes, o jeito era sair com capa de chuva e andar o dia todo sob água.

Mas depois de um ano e meio, resolveu instalar o som no Escort velho e a álcool que tinha. Foi mais um tempo, até que trocou o Escort pelo Verona que usa hoje. Mas este é a gás. No carro, dois aparelhos de som. É para garantir a qualidade. Nada de CD. Agora é cartão de memória ou pendrive.

"Não tem problema de pular. É bem melhor assim", conta Carlos. Com a motocicleta, ele ainda usava fita. No Escort, era CD. Mas com o tempo, teve de se adaptar para agradar à clientela. Alguns dos clientes de Carlos são fixos, semanais e com hora marcada. Quem o contrata combina o conteúdo da gravação. Outra pessoa grava e Carlos coloca o fundo musical, tudo de acordo com o gosto do cliente.

Depois de tudo pronto, o cliente – normalmente donos de comércios, verdureiras e supermercados – ouve para aprovar o resultado final. Se tudo estiver de acordo, é só ligar o som e sair para a rua. "Não tem luxo, mas dá para sobreviver. Agora, priorizo a qualidade de vida", justifica.

Um dos seus cuidados para manter a clientela é que o volume esteja dentro do permitido por lei: ou seja, não passar de 65 decibéis. E estar sempre em dia com as licenças necessárias da Fundema e da Conurb.


Fonte: Carlos carro de som. ---ANOTÍCIA---

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